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Maratona de Porto Alegre: veja o relato de um cadeirante


Por Carlos Oliveira | 30/05/2008 - Atualizada às 10:30

No último domingo, 25 de maio, que amanheceu bem gelado, aconteceu em Porto Alegre, a maratona que leva o nome da cidade. A prova foi o maior evento da região, ainda mais por ser a edição do jubileu de prata da maratona.

Infelizmente, por uma lesão no tendão do ombro direito, fiquei de fora, mas o atleta Altemir Luis de Oliveira, conhecido como Gringo, um dos melhores corredores em cadeira de rodas de longa distância do Brasil, estava lá para representar o paradesporto gaúcho. E ele não decepcionou. Lutando bravamente na pista, contra dois adversários vindos da Argentina, ele sagrou-se campeão da prova. Acompanhe abaixo o depoimento do atleta:


Porto Alegre - A Maratona foi a prova do meu retorno. Fazia exatamente três anos que eu não participava e nem corria uma prova de maratona por causa de uma lesão. E o resultado foi satisfatório.

A prova foi muito legal e pela primeira vez, depois de algum tempo, corri com satisfação e alegria. Mas isso só foi possível porque corri para eu mesmo, sem compromissos de patrocinadores, marca e tempos. Alias, fiquei bastante surpreso com o meu tempo, pois é um tempo semelhante ao que eu alcançava quando estava treinando forte. Minha expectativa era completar a prova na casa de 2h10min e 2h15min, foi realmente uma grata surpresa.

O percurso da prova, na minha opinião, melhorou, principalmente porque vi mais pessoas nas ruas vibrando e assistindo a corrida. Porém, o fator contrário foi a péssima qualidade de conservação do asfalto, que está acabado, principalmente na Av. Ipiranga nas imediações da Antônio de Carvalho (aqui vai um apelo ao poder público para melhorar essa parte).

Além disso, o dia contou com fortes ventos que impediu que houvesse um tempo mais significativo. A luta com os corredores vindos da Argentina pela liderança da prova foi muito legal e positiva, pois eles me deram muito trabalho e me acompanharam por boa parte do percurso.

Porém, o maior problema ainda é a premiação que é péssima. E isso não gera atrativos para os outros atletas. Existem casos esporádicos, como os atletas argentinos, mas eu gostaria que outros atletas do Brasil, que tem nível técnico bom, viessem participar, pois entendo que a minha cidade oferece um excelente ambiente, não só de competição, mas como turismo para esses atletas.

Futuro - Estou bastante satisfeito com esse resultado. Agora meus próximos desafios são as maratonas de Blumenau e Curitiba, além de outras provas com menor distância. Para 2009 pretendo correr alguma prova na Europa ou Estados Unidos e também a Maratona do Japão.

Definitivamente voltei a correr provas de rua, uma vez que no Brasil está inviável correr provas de pista, pois não existe incentivo municipal, estadual ou federal. Estou correndo com uma cadeira já faz quatro anos, quando o ideal seria trocar a cadeira cada ano. Para isso estou a espera de patrocinadores. Vamos ver e torcer!

Carlos Oliveira (Carlão)


Consultor Webrun da seção Esporte Adaptado. Ele é atleta de elite na categoria cadeirantes e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.

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